26% dos profissionais de saúde que atendem pacientes com COVID-19 apresentam sintomas indicativos de depressão ou ansiedade, aponta estudo

Projeto de pesquisa investiga a saúde mental dos profissionais da saúde que atuam no atendimento à pacientes com a doença

Praticamente após um ano do primeiro caso de COVID-19 confirmado no Brasil, a doença acumula números assustadores e muitas incertezas. Já são mais de 10 milhões de casos registrados e mais de 240 mil óbitos no país em virtude da pandemia. Vivendo uma rotina bastante diferente da usual nesse período, os profissionais de saúde estão entre os mais afetados pelo cenário atual.

Pensando nisso, um grupo de pesquisadores liderado pela Prof. Dra. Ligia Kerr (UFC), pela Prof. Dra. Celina Turchi (Instituto Aggeu Magalhães/FIOCRUZ Pernambuco) e pela Dra. Luciane Cruz (IATS/Hospital Moinhos de Vento) iniciou o projeto de pesquisa “Avaliação dos Riscos e Saúde Mental de Profissionais de Saúde que Cuidam de Pessoas com COVID-19”. O objetivo central da proposta é avaliar fatores de risco laborais para a doença bem como o desenvolvimento de transtornos mentais em profissionais de saúde atuando no cuidado de pacientes com suspeita de infecção ou infectados. O projeto, que recebeu o nome de “Fique Seguro”, tem apoio financeiro do IATS, que também presta assessoria para o desenvolvimento da pesquisa.

O estudo tem como público-alvo médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem de diferentes hospitais de referência para COVID-19 nas regiões metropolitanas de Porto Alegre, Fortaleza, Belém, São Paulo e Recife. A pesquisa prevê um acompanhamento desses profissionais por um período de seis meses, com monitoramento a cada dois meses para aferir o desenvolvimento de desfechos em saúde como surgimento de sintomas psiquiátricos, infecção por COVID-19, hospitalizações e afastamento do trabalho.

A pesquisa, que começou em outubro de 2020, conta com a participação de mais de 300 profissionais de saúde e tem como meta chegar à marca de 4000 participantes. Mesmo ainda longe do número de profissionais almejado, os pesquisadores do projeto mapearam dados preliminares. Segundo o estudo, 26% dos profissionais de saúde apresentam sintomas indicativos de depressão ou ansiedade. Além disso, cerca 38% apresentou infecção por COVID-19.

De acordo com Mírian Cohen, doutoranda do PPG em Epidemiologia da UFRGS e pesquisadora integrante do estudo, a importância do projeto é avaliar as consequências na saúde mental destes profissionais de saúde em função das diversas dificuldades e desafios enfrentados, considerando ser uma situação nunca vivida. Um dos obstáculos que o projeto vem enfrentando é o baixo engajamento dos profissionais convidados para participarem.

“Entendemos que a principal dificuldade para responder está relacionada à sobrecarga de trabalho e ao adoecimento destes profissionais”, comenta Mírian.

Médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem convidados para participarem da pesquisa deverão responder a um questionário online e convidar outros colegas. Somente profissionais convidados podem participar da pesquisa. No entanto, os profissionais interessados em fazer parte do estudo podem entrar em contato através dos seguintes e-mails:

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