English
- +

02/06/2017

Inovação em modelos de gestão de riscos para organizações de saúde: a proposição o hERMip

Resenha elaborada pela pesquisadora  Ana Paula Beck da Silva Etges

A prospecção de valor de uma organização de saúde é determinada pela qualidade e segurança dos serviços médicos prestados ao paciente somados à experiência do paciente. Alcançar um alto valor de prestação de cuidados de saúde para os pacientes deve ser o grande propósito das organizações de saúde, sendo valor definido como a entrega e percepção de cuidado alcançados por dólar gasto. Os processos que contribuem para o gerenciamento de uma organização de forma sistêmica e encorajam práticas eficientes, resultam em redução de custos e consequente melhora na prospecção de valor.

Desde a publicação do livro intitulado “Err is Human :: building a safer Heatlh System” a disseminação da cultura da segurança e da qualidade incentivou a adoção de práticas de gestão de riscos em hospitais. Entre as motivações que levaram a esta publicação seminal, destaca-se a existência de elevados riscos em ambientes de saúde devido ao grande volume de funcionários, elevado grau de interdependência entre as áreas, complexidade tecnológica e representativo volume de normas e leis às quais são submetidos. Com o intuito de regulamentar hospitais no que tange a segurança e gestão, instituições tais como a Joint Comission International (JCI), a American Society for Healthcare Risk Management (ASHRM), a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) passaram a dedicar esforços em prol da melhoria da segurança do paciente e da gestão de organizações de saúde.

A complexidade inerente ao ambiente de múltiplos clientes e a diversidade de serviços aumenta a necessidade do uso de práticas que permitam um gerenciamento amplo e eficaz de organizações de saúde e entre elas, destaca-se o uso da Enterprise Risk Management (ERM). A ERM a partir das publicações da ISO 31000 em 2009 e do guia do COSO 2 em 2008 vem sendo aplicada e adaptada às especificidades de múltiplos mercados. O contexto hospitalar caracterizado pela necessidade de avanços em sistemas e métodos gerenciais que permitam maior acurácia de informações e sustento na orientação à tomada de decisão, passou a, também, interessar-se pelo valor da ERM.

O gerenciamento de riscos corporativos é um processo conduzido em uma organização pelo conselho de administração, diretoria e demais empregados, aplicado no estabelecimento de estratégias, formuladas para identificar em toda a organização eventos em potencial, capazes de afetá-la, e administrar os riscos de modo a mantê-los compatível com o apetite a risco da organização e possibilitar garantia razoável do cumprimento dos seus objetivos. A experiência do paciente reflete ocorrências e eventos que ocorrem de forma independente e coletiva através do processo de cuidados. É mais do que a satisfação do paciente. Envolve os pacientes como parceiros em seus cuidados. Está fortemente vinculado às expectativas dos pacientes e se essas expectativas são atendidas e está integralmente vinculada aos princípios e práticas do cuidado do paciente e da família. O ERM desenvolve uma cultura organizacional na qual o envolvimento e a educação de pessoas contribuem para melhorar a experiência do paciente. A ERM permite uma compreensão robusta e quantitativa dos riscos e comunica o impacto desses riscos em todos os níveis da organização. Isso, por sua vez, promove o controle interno e, mais importante, identifica oportunidades de criação de valor que garantem a experiência do paciente. Consequentemente, no contexto das organizações de saúde, a ERM tem o propósito de impactar positivamente a capabilidade de contribuir com experiência do paciente e prospectar valor.

Esta tese em andamento já envolveu 15 organizações de saúde do Brasil e dos Estados Unidos e, em conjunto com a The Risk Authority Stanford, aplicou métodos de análise qualitativa de dados e desenvolveu estudos de caso que permitiram propor o Health Enterprise Risk Management Innovation Program (hERMip). O hERMip detalha o processo gradativo de implementação de ERM em organizações de saúde através em 4 etapas: Risk Baseline, Risk Education, Quantitative Analysis and Volatility e Corporate Governnace. As ferramentas para a exequibilidade do modelo também são detalhadas, além da sugestão de quais profissionais devem ser envolvidos e o respectivo tempo de implementação. Por fim, o estudo responde através de um mapa de causas e efeitos como a ERM prospecta valor a organizações de saúde e por isso, deve ser foco de investimentos das organizações de saúde.


Publicação em breve

Sugestões de leituras sobre a temática: http://onlinelibrary.wiley.com/journal/10.1002/%28ISSN%292040-0861

Compartilhe: