» Impacto da visita domiciliar nas taxas de re-admissão e nos custos hospitalares em pacientes com insuficiência cardíaca: Ensaio clínico randomizado
Pesquisadores Responsáveis: Carisi Anne Polanczyk e Eneida Rejane Rabelo
Pesquisadores: Emiliane Nogueira de Souza, Karen Ruschel, Graziella Aliti, Claudia Mussi, Denise Tolfo Silveira, Gabriela Souza, Nadine Clausell; Luis Eduardo Rohde; Luis Beck da Silva Neto, Andréia Biolo, Maria Antonieta Moraes, Altamiro Reis e Solange Bordignon
Resumo: A insuficiência cardíaca (IC) representa a principal causa de internação no Sistema Único de Saúde (SUS) a partir dos 65 anos. Somados à alta mortalidade, os pacientes com IC apresentam altos índices de re-internações, principalmente, nos primeiros 90 dias após a alta. Por essas razões, a IC é uma desordem preocupante e desafiadora para a equipe de saúde devido a este cenário epidemiológico. O tratamento da IC visa alcançar e manter a estabilidade clínica dos pacientes a custa de um tratamento considerado complexo.
Programas de intervenções não farmacológicas são benéficos em melhorar a qualidade de vida, diminuir internações e custos, principalmente em idosos. Nesse sentido, o tratamento não farmacológico vem demonstrando benefícios, principalmente pelo ganho dos pacientes em serem tratados por equipe multidisciplinar, com o desenvolvimento de clínicas e programas de IC, na sua maioria gerenciados por enfermeiros. Estes profissionais desenvolvem e implementam diversas estratégias no manejo dos pacientes, quer seja em ambiente hospitalar, ambulatorial, domiciliar ou seguimento por telefone, visando melhorar aspectos relacionados à adesão ao complexo tratamento que envolve a IC. Em relação ao cuidado domiciliar a prioridade da atenção se transfere do eixo recuperação da saúde dos indivíduos para o eixo prevenção de riscos e agravos, e promoção da saúde, já que a desospitalização é uma tendência mundial, uma estratégia para garantir a humanização da assistência, reduzir custos hospitalares e prevenir agravos decorrentes do processo de hospitalização. Diante desse cenário, objetiva-se avaliar o impacto do acompanhamento domiciliar, intercalado com contato telefônico, pela equipe de enfermagem junto a pacientes com IC após a alta hospitalar, em relação à taxa de re-admissões hospitalares, à adesão ao tratamento e ao custo-efetividade desta intervenção, comparada ao acompanhamento convencional de pacientes no período de 6 meses sem esta intervenção.
Com esse propósito, delineou-se um ensaio clínico randomizado em dois centros, cego para desfechos de readmissão e custos. Este estudo será realizado com pacientes portadores de IC que estiveram internados por descompensação da doença no Hospital de Clínicas de Porto Alegre (HCPA) ou no Instituto de Cardiologia – Fundação Universitária de Cardiologia do Rio Grande do Sul (IC-FUC), para o qual serão necessários, randomicamente, uma amostra total de 385 pacientes. Os pacientes internados serão localizados nas unidades de internação, nas emergências e das unidades de intensivismo por meio de visitas diárias a estas unidades pela equipe do estudo. Após a conferência dos critérios de elegibilidade, os pacientes serão convidados a participar do estudo. A aplicação dos instrumentos para obtenção de dados será antes da randomização para ambos os grupos e após a assinatura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido. Nas visitas domiciliares após a randomização do paciente para o grupo intervenção (GI), serão fornecidas informações relacionadas à terapêutica farmacológica e não farmacológica, incluindo a necessidade de adesão a estas. Os pacientes serão orientados quanto ao seu estado de saúde, à dieta e a restrição de sódio, à restrição hídrica, à atividade física, à cessação do tabagismo, ao consumo limitado de álcool e ao reconhecimento precoce de sinais e sintomas de descompensação da doença. O GI receberá acompanhamento sistemático de enfermagem no âmbito domiciliar, por meio de consultas individualizadas realizadas por enfermeiros deste estudo, num período de 6 meses, totalizando 4 visitas domiciliares, intercaladas por 4 contatos telefônicos. Ao final do período de seguimento, os pacientes de ambos os grupos serão avaliados nas instituições hospitalares de referência, período que poderá coincidir com consultas ambulatoriais, e em casos que isso não for possível, serão chamados para avaliação presencial e preenchimento dos instrumentos.
Os critérios para a confirmação do desfecho re-internação serão os registros em prontuários ou a via de internação/boletim de atendimento pelo setor de emergência do próprio paciente, em virtude da descompensação da doença. A análise de custo-efetividade será baseada na estimativa de cálculo de custos da IC e da intervenção, incluindo avaliação ambulatorial, visitas a emergência e internação hospitalar. A adesão, o conhecimento da doença, as habilidades para o autocuidado e a qualidade de vida serão verificados por meio de instrumentos já validados. O período estimado inicialmente para o desenvolvimento deste estudo é de 2 anos.
