Microbiota intestinal avaliada por N-óxido trimetilamina (TMAO) e risco cardiovascular em adolescentes: Um subprojeto do Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes (ERICA)

Apresentação

As doenças cardiovasculares (DCV) representam 32% de todas as mortes globais. Vários fatores de risco para DCV são identificáveis ainda na infância, como dislipidemia, diabetes mellitus, condições inflamatórias crônicas, obesidade, sedentarismo ou dieta inadequada. Dentre os marcadores não convencionais de risco cardiovascular, encontram-se creatinina, ácido úrico, aspartato aminotransferase (AST), alanina aminotransferase (ALT) e o N-óxido de trimetilamina (TMAO), que é um metabólito da microbiota intestinal. Este projeto visa encontrar uma correlação importante entre esses marcadores e o risco de desenvolver doenças como DCV e diabetes mellitus do tipo 2 em jovens brasileiros, uma vez que a transição da adolescência para idade adulta é um período oportuno para o monitoramento precoce visando a prevenção de doenças.

O objetivo primário do projeto é a dosagem do TMAO e sua associação com fatores de risco cardiovascular em adolescentes. 

A metodologia do projeto divide-se em cinco fases: fase 1 ERICA (Estudo de Riscos Cardiovasculares em Adolescentes) (linha de base); fase 2 ERICA (seguimento); análises de TMAO, creatinina,  ácido úrico, TGO e TGP; rotina para dosagem de TMAO , creatinina,  ácido úrico, TGO e TGP; determinação de TMAO por LC-MS/MS (cromatografia líquida acoplada à espectrometria de massas em tandem).

A fase 1 do ERICA teve sua linha de base em um estudo transversal, multicêntrico de base escolar com abrangência nacional, incluindo escolas públicas e privadas localizadas em zonas urbanas e rurais. A coleta de dados do estudo ocorreu entre fevereiro de 2013 e novembro de 2014. No total, participaram do estudo 1.247 escolas, em 124 municípios. A coleta de dados do ERICA envolveu a aplicação de três questionários estruturados, recordatório alimentar de 24 horas, avaliação antropométrica, aferição da pressão arterial e coleta de sangue. Foram criados biorrepositórios com amostras de soro dos adolescentes (4.546 amostras) nos estados do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Brasília e Ceará.

A fase 2 do ERICA envolveu jovens que participaram da Fase 1 do estudo, nos centros onde foram criados biorrepositórios. As coletas de dados nos diferentes centros ocorreram em ondas, iniciadas em 2018 no Rio de Janeiro e Porto Alegre, e em 2019 em Brasília e Fortaleza. Devido à pandemia, as coletas tiveram que ser interrompidas de forma precoce. No total, 880 adolescentes atenderam ao chamado para seguimento e destes, 500 tiveram amostras de soro armazenadas. No dia agendado para a coleta de dados, foram aplicados questionários abordando questões sociodemográficas, econômicas e potenciais fatores de risco ou proteção para o desenvolvimento de DCV, aplicado recordatório alimentar de 24h, mensuradas as medidas antropométricas (IMC, estatura e circunferência da cintura), verificada a pressão arterial e realizada coleta de sangue e armazenamento.

Na fase de análise dos exames de TMAO, creatinina,  ácido úrico, TGO e TGP será possível realizar tais análises em 5.046 (transversal = 4.546 e coorte = 500) amostras armazenadas nos biorrepositórios. Para incluir esses exames na rotina para a dosagem é preciso que as amostras sejam mantidas a -80oC em ultrafreezers e codificadas, assim parte das amostras armazenadas fora do Rio Grande do Sul serão transportadas por via aérea por empresa de logística especializada até que sejam incluídas na rotina de análise.

A fase de determinação de TMAO por LC-MS/MS será realizada na Central Analitica da UFCSPA.

Publicações relacionadas:

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Links relacionados:

UnB. Projeto avalia saúde cardiovascular de jovens em quatro capitais brasileiras: https://noticias.unb.br/125-saude/3451-projeto-erica-oferece-atendimento-a-jovens-avaliados-entre-2013-e-2014

UFSC. Estudo de riscos cardiovasculares em adolescentes é realizado em sete municípios de Santa Catarina: https://noticias.ufsc.br/tags/projeto-erica/

UFRJ. http://www.erica.ufrj.br/

Status: Em Andamento
Início: Janeiro/2022

Conclusão Prevista: Dezembro/2024
Eixo temático:
Doenças Cardiovasculares e Fatores de Risco
Hipertensão Arterial, Diabetes Mellitus, Obesidade, Terapias


Eixo metodológico: Plataforma Metodológica de Apoio à Avaliação e Monitoramento de Tecnologias em Saúde
Instituição coordenadora:
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS
Instituições participantes:
Hospital de Clínicas de Porto Alegre – HCPA
Fonte de fomento:
Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio Grande do Sul
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas
Instituto de Avaliação de Tecnologia em Saúde – IATS
Coordenação:
Beatriz D’Agord Schaan – UFRGS


Integrantes: 
Paula Godinho Rodrigues – UFRGS
Adriano Tusi Barcelos – UFRGS
Gabriela Rocha dos Santos – UFRGS
Marina Petrasi – UFRGS
Felipe Cureau – UFRGS
Clara Maraschin – UFRGS
Patrícia Bock – UFRGS
Sara Carobini – UFCSPA
Tiago Oliveira – UFCSPA

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