Projeto avalia saúde mental de profissionais em atuação na pandemia

Estudo é uma iniciativa de pesquisadores do IATS e está vinculado ao estudo “Avaliação dos Riscos de Profissionais de Saúde que Cuidam de Pessoas com Covid-19”

Avaliar fatores de risco laborais para a Covid-19 e o desenvolvimento de transtornos mentais em profissionais de saúde atuando no enfrentamento à pandemia é o objetivo do projeto “Avaliação dos riscos e saúde mental de profissionais de saúde que cuidam de pessoas com Covid-19”. O estudo é uma iniciativa de pesquisadores do IATS, na sua sede em Porto Alegre, e está vinculado ao estudo “Avaliação dos Riscos de Profissionais de Saúde que Cuidam de Pessoas com Covid-19”, que deu início a suas atividades em abril, liderado por pesquisadores do Instituto Aggeu Magalhães da Fiocruz de Pernambuco, Universidade Federal de Pernambuco, Universidade de Pernambuco e IATS.

A pesquisa na capital gaúcha é coordenada pela psiquiatra e pesquisadora do IATS Luciane Nascimento Cruz. Segundo ela, o projeto irá gerar como resultado principal a identificação de fatores de risco laboral para o desenvolvimento de TM e outros desfechos em saúde relacionados ao Covid-19 como infecção pelo vírus, hospitalização e absenteísmo nos profissionais de saúde no Brasil, provendo informações para o delineamento de políticas de atenção à saúde direcionadas a esta população.

Trata-se de uma coorte formada por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e fisioterapeutas de diferentes hospitais de referência para Covid-19 em Porto Alegre. Eles serão acompanhados por 6 meses, com monitoramento semanal para aferir o desenvolvimento de desfechos em saúde como infecção pelo Covid-19, afastamento do trabalho, hospitalizações, surgimento de sintomas psiquiátricos e avaliação de categorias de risco associados a estes desfechos.

Conforme a pesquisadora, também será realizado um caso-controle, aninhado à coorte, para analisar a associação dos transtornos mentais (TM) com a infecção COVID-19, afastamento do trabalho e hospitalizações nesta população. Será utilizada a técnica de amostragem Respondent-Driven Sampling, sendo os profissionais de saúde recrutados para participação por meio de contatos de profissionais-chave (“sementes”) através de aplicativo para telefone por um período de 8 a 12 semanas. Após a aceitação de participação, os profissionais da saúde serão monitorados semanalmente pelo aplicativo durante um período de 6 meses.

O protocolo é composto de duas partes, a primeira aplicada no período de recrutamento, contendo as variáveis de exposição: variáveis sociodemográficas, comorbidades clínicas, diagnóstico de TM, acompanhamento com psiquiatra, história familiar de TM, local e setor de trabalho, categoria profissional, uso de EPIs, procedimentos realizados, exposição decorrente de acidentes com material biológico. A segunda refere-se ao período de monitoramento, sendo medidos os desfechos: sintomas de depressão, ansiedade, ideação suicida, estresse pós-traumático, uso problemático de álcool, infecção Covid-19, afastamento do trabalho, tempo de afastamento e hospitalizações.

Texto e edição: Luiz Sérgio Dibe

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